Fundação MASC defende maior participação das mulheres na construção da paz

A Fundação Mecanismo de Apoio à Sociedade Civil (Fundação MASC) defendeu uma participação mais efectiva das mulheres na prevenção e resolução de conflitos, na gestão dos recursos e nos processos formais de tomada de decisão, como condição para consolidar uma paz sustentável em Moçambique.

A posição foi apresentada pela directora Executiva da Fundação MASC, Maura Martins, durante o Diálogo Nacional do Movimento Mulher e Paz, realizado nos dias 25 e 26 de Agosto, sob o lema “Revigorando a Agenda do Movimento Comunitário Mulher e Paz, para uma Paz Efectiva e Sustentável”.

Organizado pela Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), em parceria com a Fundação MASC, o Instituto para a Democracia Multipartidária (IMD), a ACCORD e a GIZ, o encontro juntou diferentes actores para reflectir sobre o papel das mulheres na promoção, construção e consolidação da paz em Moçambique.

Mulheres já constroem a paz nas comunidades

Na sua intervenção, Maura Martins destacou que as mulheres desempenham diariamente um papel fundamental na prevenção e resolução de conflitos, sobretudo ao nível comunitário, onde muitos conflitos surgem e são igualmente resolvidos.

“A mulher é uma construtora quotidiana da paz. Quando falamos de conflitos e paz, tentamos pensar em guerras, confrontos políticos, violência armada ou grandes processos de negociação. Mas os conflitos também começam e são resolvidos nos espaços onde as pessoas vivem. E é nesses espaços onde as mulheres estão presentes todos os dias”, afirmou.

Para a Fundação MASC, reconhecer este papel deve traduzir-se em maior representação das mulheres nos espaços onde são tomadas decisões que afectam directamente as comunidades.

Participação na gestão dos recursos

A directora Executiva chamou igualmente atenção para a necessidade de envolver as mulheres nas decisões sobre a gestão dos recursos, incluindo terra, água, recursos naturais e oportunidades económicas, áreas que podem estar na origem de tensões e conflitos nas comunidades.

“Precisamos de criar espaços formais para que a participação da mulher nas decisões sobre quem utiliza os recursos, como esses recursos são geridos, como os benefícios são distribuídos e como os conflitos são prevenidos e resolvidos”, sublinhou.

Segundo Maura Martins, a participação das mulheres deve ocorrer não apenas como consulta ou representação simbólica, mas com capacidade efectiva de influenciar decisões.

“Se a mulher está no centro da gestão quotidiana dos recursos, deve também estar nos espaços onde se decide sobre esses recursos”, afirmou.

Da participação à influência

Apesar do papel que desempenham nas comunidades, as mulheres continuam sub-representadas em muitos espaços formais de decisão. Para a Fundação MASC, superar este desafio exige transformar o reconhecimento do papel das mulheres em participação, representação e poder real de influência.

“Não basta reconhecer a importância da mulher. Precisamos de transformar esse reconhecimento em participação, representação e poder de influência. Que possamos fazer da mulher não apenas uma beneficiária da paz, mas uma protagonista da prevenção dos conflitos, da mediação, da construção de consensos e da unidade nacional”, defendeu Maura Martins.

A participação efectiva das mulheres nos processos de decisão surge, assim, como uma das condições para fortalecer os mecanismos comunitários de prevenção de conflitos e contribuir para uma paz mais efectiva e sustentável em Moçambique.

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