O 2.º Congresso das Organizações da Sociedade Civil (OSCs), subordinado ao lema “Fortalecer Capacidades, Construir Confiança e Sustentabilidade”, constitui um espaço estratégico de reflexão, diálogo e articulação entre diferentes actores da sociedade civil. O Congresso propõe-se a consolidar uma agenda colectiva orientada para a co-criação de soluções sustentáveis, com enfoque no fortalecimento institucional das OSCs, na promoção de práticas de governação mais eficazes e no aprofundamento das relações de confiança entre os diversos intervenientes. Pretende-se, deste modo, contribuir para a construção de uma sociedade civil mais influente, resiliente, participativa e transformadora, capaz de responder aos desafios actuais e impulsionar o desenvolvimento social no país.
Promover um diálogo estratégico, inclusivo e orientado para resultados, capaz de reforçar a sustentabilidade, o engajamento, a inovação e a filantropia nas Organizações da Sociedade Civil (OSCs), impulsionando a co-criação de soluções concretas para comunidades em situação de vulnerabilidade e fortalecendo o papel da sociedade civil na influência e definição de políticas públicas.
O Projecto Pro Cívico e Direitos Humanos, implementado entre 2023 e 2027, visa fortalecer a participação das Organizações da Sociedade Civil (OSCs) e dos cidadãos nos processos de tomada de decisão, promovendo uma governação inclusiva, participativa e sensível aos direitos humanos. O projecto actua no reforço das capacidades das OSCs para influenciar políticas públicas, defender o espaço cívico e proteger grupos vulneráveis, incluindo mulheres, jovens e pessoas com deficiência. A iniciativa é implementada por um consórcio formado pelo Instituto para a Democracia Multipartidária (IMD), Centro de Aprendizagem e Capacitação da Sociedade Civil (CESC), Fundação Mecanismo de Apoio à Sociedade Civil (MASC) e o Centro para a Democracia e Direitos Humanos (CDD), organizações que contribuem com experiência em democracia, participação cívica, fortalecimento institucional, direitos humanos e diálogo inclusivo.
A JUNTOS! é uma plataforma de conhecimento das OSC criada entre 2013 e 2014, com apoio da Fundação “la Caixa” (FLC) e da Fundação Aga Khan (AKF), para fortalecer organizações através da aprendizagem, inovação e criatividade, promovendo soluções locais mais sustentáveis e eficazes para os desafios das comunidades.
Desde o início, a JUNTOS! colocou as pessoas no centro, reconhecendo-as como agentes activos na construção de comunidades inclusivas, coesas, sensíveis ao género e sem marginalização. Foi desta visão que surgiu a pergunta: Como apoiar as OSC, mesmo em contextos de poucos recursos, a influenciarem melhores políticas e prestarem serviços com qualidade e de forma sustentável?
A partir daí, a plataforma passou a ligar aprendizagem à prática, investindo em abordagens participativas como o Design Thinking, que privilegia a co-criação, testagem e réplica de soluções.
Actualmente, a JUNTOS! envolve directamente 26 OSC moçambicanas e alcança mais de 400 organizações através de redes e parceiros que replicam o aprendizado.
Por meio da Aprendizagem Combinada (Blended Learning), mais de 90 mil pessoas, em quase todas as províncias do país, foram capacitadas em competências organizacionais. A plataforma apoiou ainda iniciativas de inovação social centradas no Human-Centred Design (HCD), com capacitação e 13 subvenções às melhores propostas, beneficiando directamente mais de 11 mil pessoas e suas famílias.
Na sua fase actual, a JUNTOS! está a investir nos PICs – Projectos de Inovação Comunitária, apoiando comunidades a identificar prioridades, co-criar e implementar soluções locais sustentáveis.
A JUNTOS! acredita que o envolvimento activo das comunidades, aliado à mobilização responsável e transparente de recursos, é essencial para a sustentabilidade. Por isso, está também a investir na aprendizagem sobre filantropia, como forma de fortalecer a capacidade das comunidades e organizações gerarem e sustentarem as suas próprias respostas.









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Kuinua devolveu-nos esperança
“Antes da guerra, fazíamos esteiras, mas não para a venda, era para uso pessoal e familiar, mas perdemos tudo e ficamos oito meses fora da aldeia, com os ataques de Março de 2021”
Recuperámos a dignidade de raparigas e mulheres
“Juntamos 203 mulheres em toda a iniciativa, mas aqui, na exposição, estão 12, para mostrarem devido à guerra, mas conseguem transbordar esperança”
Estamos a aprender estratégias de venda
“Sinto-me melhor a produzir, esta iniciativa tem-nos dado conhecimento para uma produção em maior quantidade e qualidade, que não tínhamos”
Advogamos a paz, através da arte
“Estamos a pedir paz do Rovuma ao Maputo. Não é fácil para estas mulheres viajarem de Palma até aqui, mas todas estão felizes e isso ajuda a construir a paz”
O investimento mais importante é nas pessoas
“Estou emocionado com a Exposição Kuinua, porque viajei muitas vezes para Palma e senti as histórias tristes e as dificuldades que a população de lá passa, mas há esperança”
Kuinua resgatou a nossa tradição de fazer cestos e esteiras
“Antes da guerra, íamos à mata colectar a palha e a tinta, agora já não podemos ir para longe, mas o projecto Kuinua devolveu-nos essa esperança”
Arte pode ser instrumento poderoso de paz
“Não estamos a ensinar nada de novo, porque este projecto envolve mulheres e raparigas de organizações que eram apoiadas pela Fundação Aga Khan, uma parceria que depois foi interrompida, e a Fundação MASC viu a necessidade de continuar, apostando no artesanato, porque a arte é geralmente deixada para trás”
Kuinua é uma arma poderosa contra a desigualdade de género
“Acreditamos firmemente que iniciativas como estas concorrem para a eliminação de práticas culturais nocivas, como violência baseada no género, e para a redução de desigualdades do género”
Kuinua devolveu-nos esperança
Apendiue Momade Salimo, uma professora reformada, não cabia de satisfação pela oportunidade de exibir os produtos da arte que do¬mina como poucos, desde criança.
“Antes da guerra, fazíamos estei¬ras, mas não para a venda, era para uso pessoal e familiar, mas per¬demos tudo e ficamos oito meses fora da aldeia, com os ataques de Março de 2021”, disse Apendiue Salimo.
A Fundação MASC investiu em formação e matérias-primas, que as tecelãs usam para a produção dos seus produtos.
“Porque somos sérias e já tínha-mos a experiência da poupança, através de uma associação que tínhamos, devolvemos o dinheiro que a Fundação nos emprestou e eles passaram a confiar em nós e incrementaram o capital”, declarou Apendiue Momade Salimo, mãe de dois filhos.
Fonte: Jornal SAVANA, Pag. 12 (01/08/2025)
Recuperámos a dignidade de raparigas e mulheres
A coordenadora distrital da Fundação MASC em Palma, Jazila Offman, considera que a iniciativa Kuinua tem contribuído para o resgate da dignidade que a guerra arrancou às mulheres, porque estão envolvidas em actividades que as elevam e dão meios de subsistência.
“Juntamos 203 mulheres em toda a iniciativa, mas aqui, na exposição, estão 12, para mostrarem devido à guerra, mas conseguem transbordar esperança”, afirmou Offman.
A insegurança, devido à acção dos insurgentes, tem dificultado o acesso à mata, para a busca de palha e tinta tradicional para o fabrico das peças de artesanato, acrescentou.
O programa de alfabetização tem dado ferramentas que contribuem para uma maior qualidade e quantidade das esteiras, cestos, tapetes e chapéus e uma contabilidade organizada básica, avançou.
A coordenadora distrital da Fundação MASC apontou a expansão do mercado como um dos desafios, indicando a Exposição Kuinua na FEIMA como um salto importante para a divulgação das obras produzidas pelas raparigas e mulheres de Palma.
“Isto é um artesanato ancestral, porque as raparigas e mulheres aprendem e desenvolvem este tipo de tecelagem a caminhar, a ir ou a voltar da machamba”, frisou Jazila Offman.
Fonte: Jornal SAVANA, Pag. 12 (01/08/2025)
Estamos a aprender estratégias de venda
Olinda Bacar louvou as estratégias de produção que o projecto Kuinua está a ensinar às tecelãs, combinando a preservação dos traços típicos da arte local e a modernidade, bem como as estratégias de venda e de “marketing”
“Sinto-me melhor a produzir, esta iniciativa tem-nos dado conhecimento para uma produção em maior quantidade e qualidade, que não tínhamos”, afirmou Bacar.
A artesã elogiou o programa de alfabetização incluído no projecto, porque dá uma literacia básica, que permite habilidades como fazer contas da produção e venda de cestos, esteiras, tapetes e chapéus.
Devido à insegurança provocada pela insurgência, as mulheres não podem ir a matas distantes recolher palha e tintas naturais para a sua arte, recorrendo mais a tintas sintéticas adquiridas no âmbito do projecto Kuinua, continuou Bacar.
Aquela artesã disse que a venda de produtos que a tecelagem permite gerar uma renda que garante a subsistência que a agricultura já não assegura, devido à baixa produtividade.
Fonte: Jornal SAVANA, Pag. 12 (01/08/2025)
Advogamos a paz, através da arte
Terezinha da Silva, uma das fundadoras da Fundação MASC, que falou em nome da organização, no acto de inauguração da Exposição Kuinua, afirmou, na ocasião, que a iniciativa constitui um contributo para a restauração e implantação da paz em Cabo Delgado e a consolidação deste valor em todo o país.
“Estamos a pedir paz do Rovuma ao Maputo. Não é fácil para estas mulheres viajarem de Palma até aqui, mas todas estão felizes e isso ajuda a construir a paz”, afirmou Silva, agradecendo aos parceiros pela materialização do projecto.
“Kuinua [prosseguiu] é parte do escopo de actividades da Fundação MASC, que visa o apoio às comunidades, principalmente, das três províncias do norte de Moçambique.”
Apelou à preservação das palmeiras que as raparigas e mulheres de Cabo Delgado usam para a tecelagem de cestos, esteiras, tapetes e chapéus.
“Que as palmeiras continuem a existir, porque agora andam mais longe, que a paz seja uma realidade, temos de levar avante o processo de paz”, sublinhou Terezinha da Silva.
Fonte: Jornal SAVANA, Pag. 12 (01/08/2025)
O investimento mais importante é nas pessoas
Arne Gibbs, director-geral da ExxonMobil em Moçambique, afirmou que a empresa se envolveu de corpo e alma na iniciativa Kuinua, porque tem nas pessoas e na população de Cabo Delgado o foco do seu investimento.
“Estou emocionado com a Exposição Kuinua, porque viajei muitas vezes para Palma e senti as histórias tristes e as dificuldades que a população de lá passa, mas há esperança”, declarou Gibbs.
“Como gestor de topo, fui várias vezes a Cabo Delgado, durante os oito anos em que estou cá em Moçambique e fiquei impressionado com o espírito resiliente e a capacidade de superação dessas mulheres. É com esperança que podemos mudar o mundo, as pessoas só precisam de uma oportunidade”, frisou.
Fonte: Jornal SAVANA, Pag. 12 (01/08/2025)
Kuinua resgatou a nossa tradição de fazer cestos e esteiras
Mariamo Bacar também exaltou a Fundação MASC e a Exxon Mobil, realçando as condições que o Kuinua criou para que a tradição de produção de cestos, tapetes e chapéus não morra, devido à guerra em Cabo Delgado.
“Antes da guerra, íamos à mata colectar a palha e a tinta, agora já não podemos ir para longe, mas o projecto Kuinua devolveu-nos essa esperança”, declarou Bacar.
Também manifestou satisfação com os resultados do programa de alfabetização que está a ser implementado, salientando a aquisição de competências básicas de escrita e contas.
“Já assino o meu nome, estamos a ir para a frente”, continuou.
Fonte: Jornal SAVANA, Pag. 12 (01/08/2025)
Arte pode ser instrumento poderoso de paz
Mariana Shaik, gestora do projecto Kuinua na Fundação MASC, afirmou que Kuinua ajuda a desmistificar a ideia de que a arte é irrelevante no contexto de conflito armado, porque a iniciativa devolve a esperança e a dignidade das raparigas e mulheres envolvidas no projecto.
“Não estamos a ensinar nada de novo, porque este projecto envolve mulheres e raparigas de organizações que eram apoiadas pela Fundação Aga Khan, uma parceria que depois foi interrompida, e a Fundação MASC viu a necessidade de continuar, apostando no artesanato, porque a arte é geralmente deixada para trás”, enfatizou Shaik.
“As raparigas e mulheres de Palma tiveram as suas casas e bens completamente reduzidos a cinzas pela violência armada e Kuinua é parte de esforços para a restauração da vida normal das vítimas”, continuou.
Avançou que a iniciativa se tem afirmado como instrumento de empoderamento político, económico e social, porque visa a geração de renda e a alfabetização de raparigas e mulheres.
“Palma não é só conflito, é também cultura, como se veem com estes maravilhosos chapéus, cestos, tapetes e esteiras produzidas pelas nossas queridas raparigas e mulheres”, sublinhou.
Fonte: Jornal SAVANA, Pag. 12 (01/08/2025)
Kuinua é uma arma poderosa contra a desigualdade de género
O Secretário de Estado de Género e Acção Social, Abdul Razak, elogiou o projecto Kuinua, pelo impacto no combate a práticas e fenómenos prejudiciais como casamentos prematuros, violência baseada no género e desigualdades.
“Acreditamos firmemente que iniciativas como estas concorrem para a eliminação de práticas culturais nocivas, como violência baseada no género, e para a redução de desigualdades do género”, afirmou Razak, no discurso de abertura da exposição.
Referindo-se ao programa de alfabetização inserido naquela iniciativa, o Secretário de Estado do Género e Acção Social recuperou a máxima que diz que “educar uma mulher é educar uma nação e potenciar uma mulher é potenciar uma família, é potenciar uma comunidade”.
“Kuinua celebra o talento e a dedicação das dez comunidades de onde são oriundas as raparigas e mulheres envolvidas no projecto”, acrescentou Abdul Razak.
“A iniciativa permite a restauração dos meios de subsistência das famílias profundamente afectadas pelo conflito armado, que provocou a degradação e a desintegração de lares e comunidades”, assinalou Razak.
“A visão do projecto Kuinua de elevar e empoderar mulheres e raparigas afectadas pelo conflito é profundamente inspirador”, realçou.
Fonte: Jornal SAVANA, Pag. 12 (01/08/2025)